Cave-2, México, 29 de Junho a 3 de Julho 2008

 

Fomos ao México continuar a formação de mergulho em gruta que tínhamos iniciado no ano passado. Tivemos novamente como instrutor o Cristophe LeMaillot, que para além de instrutor GUE é um dos principais exploradores activo das grutas mexicanas e em especial do sistema Ox Bel Ha.

Tivemos como bónus a possibilidade de acompanhar um mergulho de exploração em Yax Chen, que fica dentro da Biosfera Sian Ka’an, e que para além da equipa da Zero Gravity estiveram também presentes mergulhadores do WKPP. Este cenote é completamente diferente do que habitualmente vemos no México, visto ser uma gruta escura cheia de lama, a que não é alheio a existência de vários cenotes ao longo da gruta. Por outro lado a água salobra faz com que a visibilidade nos faça lembrar as grutas portuguesas e não as mexicanas. Foi um dia diferente, bem passado, mesmo que debaixo de chuva.

O curso foi, como é normal, intenso, com a duração de 5 dias e em média 12 horas diárias. Se acrescentarmos o tempo gasto nos transportes, não sobrou muito tempo para descansarmos ou para outros divertimentos. Nas deslocação de ir para o centro de mergulho da Zero Gravity, este ano usámos os transportes públicos da zona que são as carrinhas de ‘Paradas continuas’ e que são significativamente mais baratas ($2) que um táxi ($15) ou o aluguer de um carro ($55/dia). Neste caso o equipamento pernoitava no centro de mergulho.

 

Dia 1

O dia iniciou-se com simulação a seco de jumps e teoria sobre regras de navegação.

#1 - Taj Mahal (upstream)
Profundidade Máxima: 13,7 m
Duração: 62 min
Profundidade Média: 9,7 m
Temperatura: 24ºC
Gás: 2xS80 (32%)
Gás de deco: S40 (100%)

Foi o primeiro mergulho do curso e o objectivo principal era navegação. Antes de iniciarmos, cumprimos com um ritual que se iria repetir sem excepção antes de cada um dos mergulhos: fazer-mos um valve drill e um safety drill. Nestes exercícios o grau de exigência na qualidade de execução dos mesmos foi aumentando gradualmente de mergulho para mergulho, até no último dia já não merecerem correcções. Neste mergulho era pretendido fazer um jump à esquerda (NO) cerca de 4 minutos depois de estarmos na linha principal e escolher o caminho da esquerda quando chegássemos ao T. Após virarmos os mergulhos começaram os normais cenários de falhas que neste caso se resumiram a falhas nas luzes principais. Embora os mergulhos que fizemos ao longo do curso se tenham mantido longe de descompressão obrigatória, fizemos sempre 5 minutos aos 6 metros. A conclusão deste primeiro mergulho foi a enorme necessidade de abrandarmos o ritmo, observarmos e gozarmos devidamente a gruta e o mergulho. Este comentário seria permanente ao longo do curso.

#2 - Taj Mahal (upstream)
Profundidade Máxima: 13,7 m
Duração: 62 min
Profundidade Média: 9 m
Temperatura: 24ºC
Gás: 2xS80 (32%)
Gás de deco: S40 (100%)

O objectivo manteve-se o mesmo, ou seja, navegação. Tínhamos que fazer o jump à direita na DCS Dome e fazer uma zona com restrições ao mesmo tempo que apresentava algumas variações significativas de profundidade. Quando chegássemos novamente ao jump para a linha principal viraríamos o mergulho. Não chegámos à linha principal, pois à entrada de uma restrição, a lanterna principal desligou-se. Iniciámos a saída tendo progressivamente aparecido mais falhas: válvula esquerda e isolador fechado, a outra lanterna principal, outra válvula esquerda e isolador fechado, ficámos progressivamente sem as 4 lanternas de backup e fizemos os últimos 10 minutos na saída agarrados à linha e em touch contact. A saída do Taj Mahal sem luzes é uma visão absolutamente fantástica! Algo do outro mundo!
O dia terminou a seco com exercícios de lost diver e com uma hora de teoria.

 

Dia 2

O dia iniciou-se em calções de banho no cenote para os normais testes de natação (365 metros em 14 minutos) e de apneia (18 metros)

#3 - Eden (upstream circuito)
Profundidade Máxima: 14,9 m
Duração: 100 min
Profundidade Média: 7,3 m
Temperatura: 26ºC
Gás: 2xS80 (32%)
Gás de deco: S40 (100%)

Este mergulho teria como objectivo fazer a preparação para o circuito que pretendíamos fazer no segundo mergulho. Aos 36 minutos passámos pelo ponto que indica de forma permanente que metade do circuito está alcançado e virámos o mergulho por gás 6 minutos depois. Neste ponto colocámos marcadores na linha e iniciámos o caminho de volta. Antes de chegarmos ao cenote Zacil Ha fizemos o exercício de lost buddy. Quando reiniciámos a saída voltámos aos cenários de falhas que obrigou a uma saída em partilha e sem luzes principais, desde o cenote Little Joe.
No final ainda havia gás e tempo para praticarmos em água aberta no cenote partilha de gás sem visibilidade.

#4 - Eden (upstream circuito)
Profundidade Máxima: 16,1m
Duração: 76 min
Profundidade Média: 9,1 m
Temperatura: 26ºC
Gás: 2xS80 (32%)
Gás de deco: S40 (100%)

Este mergulho tinha como objectivo completar o circuito. Demorámos 25 minutos a chegar aos marcadores que colocámos no primeiro mergulho, que foram fantásticos (especialmente para quem vai à frente) e que foram feitos no haloclina. Foram atingidos os terços 4 minutos depois de passarmos os cookies e decidimos continuar para completar o circuito. Iniciou-se então a normal sequência de falhas de luzes e de válvulas, forçando à execução dos vários procedimentos de adaptação, sendo os últimos 15 minutos de saída feitos em partilha de gás e sem visibilidade.

Depois do mergulho houve ainda treino a seco de lost line e mais uma hora de teoria com especial incidência na gestão de stages.

 

 

Dia 3

#5 - Cenote Escondido, Sistema Maya Blue (upstream, túneis B e E)
Profundidade Máxima: 23,4 m
Duração: 83 min
Profundidade Média: 16,1m
Temperatura.: 26ºC
Gás: 2xS80 (32%) + S80 (32%)
Gás de deco: S40 (100%)

O objectivo era fazer o primeiro mergulho com stage do curso e em simultâneo teríamos navegação. Assim, o mergulho iniciou-se no designado túnel B, fizemos um jump para o túnel E e aqui deixámos a stage (com metade do gás inicial acrescida de 15 bar). O mergulho foi excepcional numa gruta fantástica. A saída foi acompanhada novamente de falhas de luzes e de válvulas, resolvidas normalmente com os procedimentos treinados. Ainda houve gás para um nós voltar a descer e fazer o exercício de lost line.

#6 - Cenote Escondido, Sistema Maya Blue (upstream, túneis A e 'Death Arrow Pasage')
Profundidade Máxima: 23,4 m
Duração: 56 min
Profundidade Média: 13,7m
Temperatura: 25ºC
Gás: 2xS80 (32%)
Gás de deco: S40 (100%)

O mergulho não se iniciou da melhor maneira visto ter sido furtada uma máscara que tinha sido deixada nas barbatanas junto à água. Nunca tal tinha acontecido, mas há sempre uma primeira vez, o que nos fez passar a ter mais cuidado nos mergulhos seguintes.
Este mergulho voltaria a ser novamente um mergulho com especial ênfase na navegação. Efectuámos um jump para a Death Arrow Passage onde percorremos uma nova zona com formações verdadeiramente fora do normal e onde vamos ter de voltar no futuro. Na saída ocorreu novamente uma sequência de falhas originando uma saída em partilha de gás e sem visibilidade. No final ainda houve oportunidade para o exercício de lost line ainda em falta.

Este dia terminou de forma insólita, pois alguns visitantes mexicanos que saíram do cenote antes de nós, fizeram o favor de nos fechar (a nós e a um taxista) a cadeado. Tivemos 45 minutos de trabalhos manuais, desmontando o portão e voltado a montá-lo. No final tivemos teoria sobre topografia, planeamento de mergulho e gestão de stress.

 

 

Dia 4

#7 - Cenote Aktun Ha (Carwash downstream)
Profundidade Máxima: 20,7m
Duração: 58 min
Profundidade Média: 15,2 m
Temperatura: 25ºC
Gás: 2xS80 (32%)
Gás de deco: S40 (100%)

O objectivo foi novamente navegação e cenários, mas desta vez com restrições, numa gruta que é normalmente baixa, onde a altura do chão ao tecto é normalmente de cerca de 1 metro. A navegação seria virar à direita nos 3 T’s que íamos encontrar, passando pelo Satan Silt Hole. Mais um mergulho numa gruta fantástica cheia de formações. A saída foi novamente com falhas de luzes e de válvulas, tendo sido efectuada a saída em partilha e com lanternas de back-up. A dificuldade adicional foi mesmo a saída em partilha pelo meio de restrições evitando, na medida do possível, tocar na gruta.

#8 - Cenote Aktun Ha (Carwash downstream)
Profundidade Máxima: 25,3 m
Duração: 48 min
Profundidade Média: 13,7m
Temperatura: 25ºC
Gás: 2xS80 (32%)
Gás de deco: S40 (100%)

Desta vez o objectivo era fazer o levantamento topográfico desde o cenote até ao Ancient Chamber. Já tínhamos feito topografia antes, embora em linha já colocada e não em simultâneo com a colocação da mesma. Foi uma experiência muito interessante e que nos é bastante útil. A dificuldade que tivemos inicialmente foi encontrar o caminho correcto, o que fez-nos gastar demasiado gás, tendo apenas conseguido chegar à entrada da câmara, não tendo sido possível registar a topografia da mesma. Na saída, para não estranharmos, tivemos as usuais falhas de luzes e válvulas.

No final do dia, tivemos ainda oportunidade de verificar a nossa topografia com outras feitas anteriormente e ainda tivemos mais cerca de 2 horas de teoria.

 

 

Dia 5

#9 - Cenote Aktun Ha (Carwash upstream)
Profundidade Máxima: 18,9 m
Duração: 68 min
Profundidade Média: 10,9 m
Temperatura: 25ºC
Gás: 2xS80 (32%)
Gás de deco: S40 (100%)

O objectivo do mergulho era novamente navegação, praticar a colocação de carreto e não mostrar qualquer ‘luta’ com o equipamento.

Embora pretendêssemos mergulhar em Vaca Há, este cenote está fechado, sendo necessário encontrarmo-nos com o dono de forma a obtermos a chave. Como não o conseguimos encontrar (era cedo :)) optámos por voltar a Carwash e desta vez fazer a gruta upstream até ao Room of Tears. É um mergulho ‘tradicional’ da volta turística, e é igualmente muito utilizado para cursos de mergulho. Isto faz com que o caminho na linha seja fácil de seguir com o chão limpo e as marcas das batidas nas formações. De qualquer forma, a linha principal começa bastante longe da entrada e sem guia é muito difícil de encontrar. Existem mergulhadores que chegam a optar fazer um mergulho para colocar a linha, sair e então fazer um segundo mergulho para atingir a câmara pretendida. Gradualmente ao longo do curso foram-nos dadas a seco indicações de como chegar à linha, mas dentro da gruta, cada vez mais estávamos como equipa de dois, ou seja, só já em situações excepcionais nos eram dadas pistas no caminho a seguir. Os cerca de 60 metros que separam a superfície da linha principal, foram verdadeiramente difíceis de atingir. O outro ponto difícil de encontrar é o jump à esquerda para a restrição que dá acesso ao caminho pretendido. Muitas das vezes (tal como neste dia) não está marcado, o que para quem não conhece torna muito difícil encontrar o local exacto. O jump foi-nos indicado pelo Chris e conseguimos chegar ainda ao novo jump que dá acesso ao Room of Tears, mas nesse momento já era altura de voltar. A câmara antes, denominada de Cristal Palace é simplesmente brutal, e vamos igualmente ter de repetir novamente este mergulho no futuro. A saída foi novamente completada por falhas de luzes, válvulas e partilha de gás.

 

#10 - Grand Cenote
Profundidade Máxima: 12,1m
Duração: 91 min
Profundidade Média: 9,7m
Temperatura: 25ºC
Gás: 2xS80 (32%) + S80 (32%)

O último mergulho do curso. Desta vez a nossa equipa de 2 transformou-se em 3 com a inclusão do Chris como mergulhador número 3. Seria o nosso segundo mergulho de stage, com o objectivo de fazer 3 jumps. O primeiro seria da linha da caverna para a linha principal, o segundo para o Paso de Lagarto e o terceiro para um túnel com um nome demasiado complexo para conseguirmos fixar :). Foi uma óptima escolha para fazermos o último mergulho do curso. O mergulho correu normalmente e finalmente tivemos o primeiro mergulho sem qualquer tipo de falhas :).

O dia terminou com o desenho da nossa topografia (apenas tempo para colocar a profundidade, orientação e distância), para finalizar o exame escrito e ainda ouvirmos o resultado do nosso curso e a chamada de atenção para os pontos que temos de melhorar.

Luís Magro e Delfim Machado

 

 




















 

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